mardi 31 mai 2016

burrice



Estranha civilização esta que promove música barulhenta, "games" violentos, emoções intensas, brutais, os "valores de choque", como dizia Paul Valéry, a agressividade e o solavanco por todos os meios, o prazer a qualquer custo, o egoísmo de todas as maneiras, mas se assusta quando alguns de seus membros passam ao ato, da grossura no trato social aos linchamentos virtuais, do estupro ao terrorismo. Então se multiplicam as vozes que se indignam, lamentam, gritam, protestam. Um outro tanto de vozes acaba por se agarrar ao que lhes parece tábua da salvação: o sentimentalismo, a pieguice, como se fôssemos ou algo em nós prometesse que um dia seremos anjos. Os métodos terapêuticos, com ou sem uso de química, vão se sucedendo. Por todo lado há "desejo", "esperança", "mentalização"; fala-se em "energias", em "vibrações", outro tanto de puerilidade. Entre os mais agitados e revoltados, fala-se em "revolução", outro tanto de ilusão e violência, se me entendem. Contudo, cá embaixo, o realismo continua levando a pior: realistas são malvistos e malquistos; na melhor das hipóteses, são encarados com desconfiança. E os "faróis" da humanidade - aquelas vozes que conseguem, mal ou bem, se fazer ouvir - são mal lidos, mal interpretados e, finalmente, seguem incompreendidos pelas massas de imbecis. Até prova em contrário, parece que a burrice continua a levar a melhor sem nada que a detenha.


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